Descrição
Há prisões sem grades, sem muros e sem guardas. Prisões construídas pela própria mente.
Em Campo de Concentração Mental, o cérebro é apresentado como um território de confinamento, onde a figura feminina se encontra caída ao chão, dominada pelo medo e perseguida pela própria sombra. O cenário foi concebido para transmitir uma sensação de sufocamento, isolamento e constante ameaça, evocando simbolicamente a atmosfera de um campo de concentração.
A sombra representa tudo aquilo que habita o inconsciente: medos, traumas, pensamentos intrusivos e aspectos de si que se tornam impossíveis de ignorar. A perseguição não vem de um inimigo externo, mas da própria psique. A mulher ergue a mão em um gesto ambíguo entre defesa, rendição e pedido de socorro, revelando a vulnerabilidade de quem luta contra forças invisíveis.
A obra propõe uma reflexão sobre os estados de sofrimento mental em que o indivíduo se torna prisioneiro de seus próprios pensamentos, vivendo uma batalha silenciosa dentro de si. O verdadeiro cárcere não é físico, mas psicológico; um espaço onde a sobrevivência depende de enfrentar a própria sombra.
Poesia
Amanheceu.
Ainda estou aqui –
presa.
À uma cabeça
doentia
e explosiva.
Dentro de mim
habita,
diversas sensações
reflexos de
muitas emoções
intensas.
Muitas vezes impulsivas
e destrutivas.
Em um momento
sinto tudo,
mas em um piscar
de olhos,
tudo some.
Meu corpo,
mente
e alma.
Sufocada.
O vazio
me corroi,
levando tudo
o que um dia
fez sentido.
Perseguida
pelos fantasmas
do meu passado.
Tomada pela
minha própria
sombra.
Alucinação?
Perdição?
Minha mente
é um trem
desgovernado.
Uma hora em cima,
outra embaixo.
Neste compasso,
jogo tudo para
o alto.
Ou 8 ou 80.
Quente ou frio.
Vazio.
Isabela Oshida